Lembro-me da marcante cena do filme “As Horas”, em que Clarissa,
o personagem de Maryl Streep, conversa com sua filha relembrando seus tempos de
universidade e pontuando o quanto ela se sentia imensamente feliz com a
vida. Ela pensava que a partir daquele momento haveria cada vez mais e mais
felicidade. Só que não haveria mais felicidade, aquela era ‘a felicidade’.
Então, sua filha de vinte anos lhe responde: “O que você está querendo dizer é
que um dia você já foi jovem”.
Essa bela cena reflete a inocência da juventude em relação às
grandes expectativas geradas na largada da vida. Todos são tão iguais ao imaginarem um futuro brilhante, cheio de sucesso e realizações até que um
choque de realidade os coloque diante de obstáculos e perdas ao longo do
caminho.
Todos nós projetamos o que queremos nos tornar e sabemos que
enquanto formos jovens teremos muitas oportunidades ou a crença de tê-las. Com o passar dos anos, começamos
a avaliar o que nos tornamos em relação ao que havíamos projetado. Alguns saem no
lucro, outros sofrem autodecepção, há ainda os que foram catapultados para muito
longe de suas expectativas e poucos conseguem cumprir o roteiro programado em
sua juventude. O que acontece no meio do caminho? Perdemo-nos de nossos
objetivos? Apostamos nossas fichas no lugar errado? Não tivemos a percepção
correta ao fazermos escolhas? Como trilhar o caminho certo para alcançar
o futuro planejado em tenra idade?
Alguns fazem escolhas para obter aprovação. Poucos dão a
largada sabendo exatamente para onde querem ir. Quando somos jovens nossos
objetivos raramente estão definidos, há confusão e indecisão e todos os
caminhos parecem prósperos. Logo, alguns começam a experimentar e de tanto
experimentar acabam não se encaixando, pois desperdiçaram tempo demais. Quando se olha para trás tudo o que se vê
são carreiras instáveis, divórcios múltiplos, filhos distantes emocionalmente, amigos que
se perderam ao longo do caminho.
Após a
maturidade sabemos que nossas oportunidades serão escassas. Então, não há tempo para experimentar demasiado e viver continuamente sem comprometimento, a juventude passa e construções consistentes demandam rotina.
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