Após certa idade, vivemos o suficiente
para colecionar algumas cicatrizes. Há dores, traumas, mágoas e memórias que
gostaríamos de esquecer. Algumas pessoas decidem passar por cima da dor e, em
vez de sentir esse luto, preferem atropelar os episódios sem digerir
completamente o que lhes aconteceu. Escolhem fugir do contato com a dor. Mas
haverá um momento em que será preciso enfrentá-la para sair da superficialidade
e arranjar tempo e atenção para si mesmo. Enfim, chegará a necessidade de se
dedicar à própria cura.
Possuímos vários bálsamos para atenuar a dor:
amigos, viagens, família, trabalho, espiritualidade ou alguma arte ou hobby ao
qual nos dedicamos com afinco. Porém, em alguns casos não podemos desconsiderar
a ajuda de um profissional. Nem tudo conseguiremos resolver sozinhos. Não é
sempre que encontramos o caminho de volta ou talvez estejamos demorando demais
a sair de uma situação dolorosa. Não podemos deixar a dor se instalar por um
período muito prolongado. Se não estivermos progredindo, temos que buscar orientação
e pedir ajuda para a pessoa certa. Profissionais existem para isso.
Deve-se ter um cuidado com os conselhos, pois nem
sempre as pessoas com as quais nos aconselhamos passaram pelas experiências que
estamos passando ou então, não possuem maturidade emocional para ver além de sua
própria percepção.
Indivíduos que passaram por momentos muito difíceis
têm dificuldade em acreditar que algo de realmente bom possa ocorrer em sua
vida. Então, quando estão diante de uma situação que possa lhes
gerar uma mera satisfação ou felicidade eles retornam ao antigo padrão, que
lhes é familiar. Eles não sabem lidar com a alegria, com a fluidez das coisas;
se algo está ‘dando certo’, eles logo pensam que tem alguma coisa errada.
Algumas pessoas chegam a sentir-se desconfortáveis quando não têm problemas.
Elas ficam ansiosas aguardando o aparecimento do infortúnio, o que na maioria
das vezes não acontece, fazendo-as iniciarem o processo de autossabotagem. É
preciso realizar uma reeducação a fim de desconstruir esse padrão doentio de
ser incapaz de se divertir e desfrutar a vida por estar focando sempre nas
misérias e amarguras da existência humana. É necessário entender que a
alegria está disponível a todos, mas é um merecimento somente dos que se
permitem vivenciá-la.
Mergulhando
no Naufrágio
“Há uma escada
A escada está
sempre lá
Inocentemente
suspensa
Bem ao lado da
escuna...
Eu desço...
Eu vim explorar
os destroços...
Eu vim para ver
o dano que foi causado
e os tesouros
que prevalecem...”
Adrienne Rich
Verdades, que o tempo nos revela.
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