A autoestima deveria
ser trabalhada no indivíduo em idade precoce, mas o que torna esta construção
difícil é que os pais às vezes não possuem a própria autoestima elevada. As
crianças tendem a imitar o que observam, e não o que é dito. Quando analisamos
a trajetória de vida construída por nós até agora, entendemos a origem de
nossos medos e inseguranças. Para que
possamos fazer os ‘consertos’ emocionais possíveis, uma das medidas necessárias
é evitar os ambientes hostis, para não entrarmos em situações que detonem nossa
autoestima. Assim como precisamos cuidar de nosso corpo, também precisamos
cuidar de nossa saúde emocional. Se você quebrar um braço aos dez anos e não
engessá-lo ou tomar as medidas necessárias para retificar o trauma,
provavelmente você terá problemas futuros com esse braço pela falta de
tratamento. O mesmo ocorre com nossas lacunas emocionais. Se não curarmos os
maus-tratos, traumas, medos e inseguranças cujas origens estejam no passado, estaremos trazendo essa bagagem para o nosso presente. A alma também precisa
de tratamento.
A autoestima não diz
respeito somente a cuidar bem de si mesmo e ter uma autoimagem positiva, mas
também tem a ver com a forma como permitimos que as outras pessoas nos tratem.
É importante saber filtrar uma crítica e saber identificar o que nos serve e o
que não nos serve acerca das colocações apresentadas. As dicas para avaliarmos essa
questão estão no modo como um indivíduo se dirige a outro. A forma como ele
fala, as palavras que ele escolhe para comunicar sua insatisfação e a motivação
por trás da crítica. A palavra é um dos elementos determinantes para causar um impacto
positivo, no sentido de levar uma pessoa a uma reflexão acerca de suas próprias
atitudes, ou pode dizimar sua autoestima fazendo com que desenvolva falta
de apreciação por si mesma. A
reincidência de maus-tratos, sejam eles físicos ou psicológicos, pode tolher a
capacidade de desenvolvimento. Isso acontece com frequência em lares
que praticamente assassinam o potencial de um indivíduo através de agressões
verbais, brincadeiras inconvenientes, indiferença, comparações constantes, insatisfação contumaz acerca de qualquer tentativa de agrado e
falta de apreciação das qualidades. É uma característica humana se deixar
influenciar pelas opiniões alheias. Construímos nossa identidade a partir do olhar do outro. Grande parte das pessoas segue um grupo
passivamente e tem pavor de separar-se dele. E isso ocorre porque quando a
maioria acredita em determinada ideia ou opinião, as pessoas pensam que essa
ideia está certa somente porque é defendida pela maioria.
“A unanimidade é
burra”
Nelson Rodrigues
Outro ponto a considerar é achar que
as pessoas em posição de liderança sempre sabem o que estão fazendo. As pessoas exitosas ou em posição de liderança também possuem suas incoerências e não
sabem tudo. Não devemos construir nossos
conceitos com uma interpretação única e imutável com pontos de vista e crenças
baseados somente na percepção do grupo ou cultura à qual pertencemos. Estar disponível a conviver com outros grupos e culturas torna nossa percepção elástica. Nossos
conceitos devem ser uma obra aberta, pois o que aprendemos até o estágio em que nos encontramos não necessariamente será válido em relação ao nosso
aprendizado daqui a alguns anos. Isso significa que nossos conceitos e crenças
mudarão de acordo com as experiências adquiridas. Muitas vezes o indivíduo tem
sua autoestima abalada devido a opiniões infundadas de outras pessoas. Quem
valoriza demais a opinião dos outros por vezes deixa de fazer escolhas por medo
do julgamento do grupo. Há muitas ideias confusas e imprecisas no mundo porque
a maioria das pessoas pensa que pode ter boas ideias sem avaliar com mais
profundidade ou sem conhecer experiências diversas de sua própria. Quanto mais
ampliarmos o universo de nossos relacionamentos, mais nossa percepção expandirá
e mais fácil será encontrarmos o grupo com o qual temos afinidade, sendo
exatamente quem somos. Não precisarmos nos aleijar para caber num formato que
não é o nosso. Temos todo o direto de desafiar ideologias dominantes, crenças e
tradições que não nos servem e ir à busca do lugar ao qual pertencemos. Aquele
que é diferente no grupo acaba sendo hostilizado ou desprezado de alguma forma sendo emocionalmente
violentado justamente por não sair desse lugar que não combina com ele. Muitas
pessoas têm dificuldades em sair do lugar emocionalmente hostil e buscar um
ambiente saudável por dificuldades em entender o que isso significa, por
nunca terem tido convivência ou acesso a um ambiente equilibrado e funcional. Algum tempo
depois, quando têm acesso a uma socialização saudável e a oportunidade de
observar outros ambientes, lhes vem o entendimento de que seus padrões de
relacionamentos eram nocivos e que não devem mais ser aceitos. O contato com ambientes saudáveis é imprescindível para a construção de
uma autoestima elevada. Relacionar-se com pessoas que reconheçam e apreciem o
que temos de bom é fundamental para a construção do nosso self. A identidade do indivíduo é construída a partir das
interações humanas.
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